Pensar junto, às vezes, é melhor que pensar sozinho. Há ocasiões em que a gente pensa e sente vontade de compartilhar o pensamento com alguém. Por isso, então, pensaremos juntos! Para dividir ideias, emoções e pensamentos.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Charada
Ser humano é o bicho mais estranho do mundo. Quando não tem, quer. Quando tem, fica reclamando por ter... Vai entender...
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Mês do "cachorro louco" ainda não tinha acabado
Escrevi o texto abaixo na segunda semana de agosto, depois de passar por problemas domésticos com minha gatinha – eu só pisei nela sem querer e lhe quebrei o maxilar! Fui mal... Não sabia que agosto é agosto e que tinha que esperar o mês acabar antes de achar que tudo já tinha acontecido. Ainda estava no dia 9 quando escrevi. Faltavam 22 dias para o mês se ir. Batata! Mais coisas ainda viriam... Vou contar para vocês que este mês de agosto, que vai embora hoje, reforçou toda superstição que nunca tive na vida. Estou escrevendo este texto aqui agora, até com um pouquinho de medo porque ainda faltam pouco mais de oito horas para o último dia do mês acabar... Aiaiaiai...
Mas vamos lá. Quero desabafar! Como sou uma mulher (ou menina ou moça) de fé, vou crer que nada mais vai acontecer comigo hoje, a não ser o encontro com o namorado e a festa que irei à noite. Ou seja, somente coisas boas, não? Agosto não é mais forte que eu, embora tenha sido muito malvado este ano.
É que, no dia 19 de agosto – 19/08/2009, será que existe alguma ligação cabalística entre esses números? - eu consegui torcer, bem torcido, meu pé, assim, de bobeira, indo pegar o ônibus para ir trabalhar, perto de casa. Acho que não tinha buraco por perto, eu não estava de salto muito alto e tal, mas torci. Quando torci o esquerdo, pisei forte com o direito e, aí, o que aconteceu? Quebrei o salto do direito! Como se anda assim? Com o esquerdo, eu mancava de dor e, com o direito, mancava por causa do salto quebrado.
Dupla mancada! Será que tem a ver com meu nome? Cláudia significa pessoa que claudica, ou seja, que manca!!! Por incrível que pareça! Acho meu nome até bonito, mas o significado dele... Deve ser por isso que ganhei duas mancadas de uma vez só! Mesmo assim, pedi para o motorista do ônibus esperar e entrei para ir para o trabalho. Eu tinha que ir. Havia uma pauta importante às 10h30 e somente eu para cobrir. Não consegui deixar o pessoal na mão. No final da tarde, eu quase me arrependi da minha responsabilidade...
Que dor!!! Vou repetir com mais ênfase: QUE DOR!!!!!!!!!!!!!!!!! Quando levantei para ir embora do jornal, não conseguia mais pisar. Tive que sair de "saci-pererê" pela redação! Fui ao Pronto-Atendimento da Unimed. Um médico me atendeu, pediu a radiografia e nem tocou no meu pé para me examinar. Receitou um anti-inflamatório fortíssimo, que acabou com meu estômago, e bolsa de gelo, mas nada de remédio para cortar a dor. Que atendimento temos hoje, não? E olha que é atendimento privado!!! Deve ser por isso que meu pé não está bom até hoje!
A tal dor me fez ficar de molho em casa durante quase quatro dias – dei uma pequena saidinha no sábado à noite e, no domingo, fui à casa de minha mãe. Somente isso. Fiquei em casa, como digo, engordando para o Natal, porque o médico recomendou repouso absoluto, que significava ficar deitada o dia inteiro com o pé para cima, coisa que, óbvio, eu não consegui. Quem consegue ficar assim em casa, sabendo que tem um milhão de coisas para fazer fora e dentro dela? Levantei um bocadinho para arrumar as coisas por lá e ajeitar outras, mas não exagerei. Isso não.
O pé, eu vou levando. Ele não está 100%, mas também não está 0,001%. Por via das dúvidas, eu vou a um ortopedista amanhã, primeiro dia das minhas férias, para saber se vou precisar fazer fisioterapia e quando poderei voltar a ser uma pessa normal – descer rampas e escadas normalmente, ir à academia, correr, andar de bicicleta e outras coisas que eu quiser. Espero que seja em breve.
Disso tudo, o que posso dizer é que mau agouro é mau agouro. Eu, como muitas pessoas, devo ter jogado uma carga pesada demais em agosto e acabou ficando assim. Como diz minha religiosa (católica?) e amada irmã Eunice, “Tem que rezar mais”. Minha mãe (evangélica!) também vive falando: “Não se esqueça de orar”. Quem sabe não é isso? Não é o mês, é que, talvez, eu (nem católica nem evangélica!) tenha conversado pouco com Deus ultimamente. Antes, eu conversava todos os dias – nem rezava nem orava, conversava. Tenho corrido muito e me ocupado com tantas coisas que, confesso, tenho deixado a conversa um pouco de lado. Vou melhorar isso e afastar os maus agouros! Assim espero!
Mas vamos lá. Quero desabafar! Como sou uma mulher (ou menina ou moça) de fé, vou crer que nada mais vai acontecer comigo hoje, a não ser o encontro com o namorado e a festa que irei à noite. Ou seja, somente coisas boas, não? Agosto não é mais forte que eu, embora tenha sido muito malvado este ano.
É que, no dia 19 de agosto – 19/08/2009, será que existe alguma ligação cabalística entre esses números? - eu consegui torcer, bem torcido, meu pé, assim, de bobeira, indo pegar o ônibus para ir trabalhar, perto de casa. Acho que não tinha buraco por perto, eu não estava de salto muito alto e tal, mas torci. Quando torci o esquerdo, pisei forte com o direito e, aí, o que aconteceu? Quebrei o salto do direito! Como se anda assim? Com o esquerdo, eu mancava de dor e, com o direito, mancava por causa do salto quebrado.
Dupla mancada! Será que tem a ver com meu nome? Cláudia significa pessoa que claudica, ou seja, que manca!!! Por incrível que pareça! Acho meu nome até bonito, mas o significado dele... Deve ser por isso que ganhei duas mancadas de uma vez só! Mesmo assim, pedi para o motorista do ônibus esperar e entrei para ir para o trabalho. Eu tinha que ir. Havia uma pauta importante às 10h30 e somente eu para cobrir. Não consegui deixar o pessoal na mão. No final da tarde, eu quase me arrependi da minha responsabilidade...
Que dor!!! Vou repetir com mais ênfase: QUE DOR!!!!!!!!!!!!!!!!! Quando levantei para ir embora do jornal, não conseguia mais pisar. Tive que sair de "saci-pererê" pela redação! Fui ao Pronto-Atendimento da Unimed. Um médico me atendeu, pediu a radiografia e nem tocou no meu pé para me examinar. Receitou um anti-inflamatório fortíssimo, que acabou com meu estômago, e bolsa de gelo, mas nada de remédio para cortar a dor. Que atendimento temos hoje, não? E olha que é atendimento privado!!! Deve ser por isso que meu pé não está bom até hoje!
A tal dor me fez ficar de molho em casa durante quase quatro dias – dei uma pequena saidinha no sábado à noite e, no domingo, fui à casa de minha mãe. Somente isso. Fiquei em casa, como digo, engordando para o Natal, porque o médico recomendou repouso absoluto, que significava ficar deitada o dia inteiro com o pé para cima, coisa que, óbvio, eu não consegui. Quem consegue ficar assim em casa, sabendo que tem um milhão de coisas para fazer fora e dentro dela? Levantei um bocadinho para arrumar as coisas por lá e ajeitar outras, mas não exagerei. Isso não.
O pé, eu vou levando. Ele não está 100%, mas também não está 0,001%. Por via das dúvidas, eu vou a um ortopedista amanhã, primeiro dia das minhas férias, para saber se vou precisar fazer fisioterapia e quando poderei voltar a ser uma pessa normal – descer rampas e escadas normalmente, ir à academia, correr, andar de bicicleta e outras coisas que eu quiser. Espero que seja em breve.
Disso tudo, o que posso dizer é que mau agouro é mau agouro. Eu, como muitas pessoas, devo ter jogado uma carga pesada demais em agosto e acabou ficando assim. Como diz minha religiosa (católica?) e amada irmã Eunice, “Tem que rezar mais”. Minha mãe (evangélica!) também vive falando: “Não se esqueça de orar”. Quem sabe não é isso? Não é o mês, é que, talvez, eu (nem católica nem evangélica!) tenha conversado pouco com Deus ultimamente. Antes, eu conversava todos os dias – nem rezava nem orava, conversava. Tenho corrido muito e me ocupado com tantas coisas que, confesso, tenho deixado a conversa um pouco de lado. Vou melhorar isso e afastar os maus agouros! Assim espero!
domingo, 9 de agosto de 2009
Mês do "cachorro louco"
Rótulos não fazem bem a ninguém. Por exemplo, sempre tive raiva dos rótulos dados aos gatos: agourentos, interesseiros, não gostam do dono, só da casa etc. Acho uma pura ignorância. Gato é o contrário disso tudo. É um bicho lindíssimo, inteligente, carinhoso, que AMA o dono e só faz bem a quem está por perto. Mas não é de gatos que vou falar aqui hoje. Essa introdução foi uma espécie de "desculpa" porque vou escrever sobre algo aqui, usando um pouco do "rótulo" que existe sobre o mês de agosto.
Na verdade, nunca tive nada contra mês algum, só preferência por outros. Não preciso nem dizer que adoro o mês de maio (meu mês!!!). Também gosto de abril e setembro, especialmente. Mas gosto dos meses de inverno também - só de junho a julho. Dos meses de chuva (de novembro a janeiro), não gosto tanto porque fico impossibilitada (ou com má vontade) de fazer as mil coisas que gosto de e tenho que fazer todos os dias.
Bom, voltando a agosto, se eu não gostasse do mês, eu não teria me mudado exatamente no dia 13 (!!!) de agosto de 2006 para minha atual casa, prova de que não sou supersticiosa. Não sou supersticiosa, mas, de certa forma, acredito em energias e na conexão das coisas. Acho que tudo está ligado e que pensamento, palavra, querer e intenção podem influenciar situações.
As pessoas costumam dizer que agosto é o "mês do cachorro louco" por causa de várias coisas ruins que acontecem neste mês. Tem até um dito popular que diz "casar em agosto traz desgoto". Credo! Não é assim também, não é? Há algumas tragédias e fatos históricos - como o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, a morte da Lady Diana, em 1997, muitos incêndios, ventanias, proliferação de raiva em cães - que marcaram muito a mentalidade social. Mas isso não quer dizer que tudo é ruim no mês. Acredito que agosto acaba ficando "carregado" por causa das coisas que as pessoas atribuem a ele. Muita energia negativa e expectativas de acontecimentos ruins acabam levando a situações nada boas.
Tenho vários amigos queridos, como Lizzi, Gabriel e Paulinho, e parentes, como tia Delmar e prima Luciene, que aniversariam em agosto e, portanto, devem gostar do mês. Peço, então, desculpa a vocês pelo texto, talvez, um pouco ruim sobre o mês em que nasceram. É apenas um comentário sobre um pensamento ou comportamento social que existe, mas não se pode dizer que é verdade a existência de mau agouro em agosto. Agora, para falar a verdade, se eu for ter um filho, vou olhar direitinho as datas para que ele não nasça em agosto... rs... Podendo, a gente evita coisas carregadas.
Contudo, o motivo que me levou a escrever este texto é que este mês não começou bem para mim, principalmente por causa de um acidente com minha gatinha, a Amor, que, neste momento, está com o maxilar quebrado, usando aparelho para se recuperar. Então, a gente acaba pensando em supertições como essa do mês do mau agouro. Mas o que importa é que o ruim foi só a primeira semana e que o meio e o fim serão ótimos, como são todos os meses de minha vida!
Na verdade, nunca tive nada contra mês algum, só preferência por outros. Não preciso nem dizer que adoro o mês de maio (meu mês!!!). Também gosto de abril e setembro, especialmente. Mas gosto dos meses de inverno também - só de junho a julho. Dos meses de chuva (de novembro a janeiro), não gosto tanto porque fico impossibilitada (ou com má vontade) de fazer as mil coisas que gosto de e tenho que fazer todos os dias.
Bom, voltando a agosto, se eu não gostasse do mês, eu não teria me mudado exatamente no dia 13 (!!!) de agosto de 2006 para minha atual casa, prova de que não sou supersticiosa. Não sou supersticiosa, mas, de certa forma, acredito em energias e na conexão das coisas. Acho que tudo está ligado e que pensamento, palavra, querer e intenção podem influenciar situações.
As pessoas costumam dizer que agosto é o "mês do cachorro louco" por causa de várias coisas ruins que acontecem neste mês. Tem até um dito popular que diz "casar em agosto traz desgoto". Credo! Não é assim também, não é? Há algumas tragédias e fatos históricos - como o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, a morte da Lady Diana, em 1997, muitos incêndios, ventanias, proliferação de raiva em cães - que marcaram muito a mentalidade social. Mas isso não quer dizer que tudo é ruim no mês. Acredito que agosto acaba ficando "carregado" por causa das coisas que as pessoas atribuem a ele. Muita energia negativa e expectativas de acontecimentos ruins acabam levando a situações nada boas.
Tenho vários amigos queridos, como Lizzi, Gabriel e Paulinho, e parentes, como tia Delmar e prima Luciene, que aniversariam em agosto e, portanto, devem gostar do mês. Peço, então, desculpa a vocês pelo texto, talvez, um pouco ruim sobre o mês em que nasceram. É apenas um comentário sobre um pensamento ou comportamento social que existe, mas não se pode dizer que é verdade a existência de mau agouro em agosto. Agora, para falar a verdade, se eu for ter um filho, vou olhar direitinho as datas para que ele não nasça em agosto... rs... Podendo, a gente evita coisas carregadas.
Contudo, o motivo que me levou a escrever este texto é que este mês não começou bem para mim, principalmente por causa de um acidente com minha gatinha, a Amor, que, neste momento, está com o maxilar quebrado, usando aparelho para se recuperar. Então, a gente acaba pensando em supertições como essa do mês do mau agouro. Mas o que importa é que o ruim foi só a primeira semana e que o meio e o fim serão ótimos, como são todos os meses de minha vida!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Lembranças de Michael

Gosto de M. Jackson. Claro que lamentei a morte do artista, mas sem o exagero que está se vendo por aí. Na verdade, não acompanhava a carreira dele. Só ouvia as músicas e via os clipes em oportunidades não provocadas por mim. Ou seja, eu não procurava nada sobre ele.
A lembrança mais forte que tenho de M. Jackson é o medo que eu senti ao ver "Thriller" pela primeira vez, no final do Fantástico. Senti tanto medo, tanto medo... Era pequenina. Quando soube, após a morte de M. Jackson, quando "Thriller" foi lançado - entre 1982 e 1983 -, fiquei impressionada por eu me lembrar disso. Deve ter sido apresentado no Fantástico em 1983. Mas eu tinha dois para três anos.
Como eu me lembro disso? E me lembro perfeitamente bem. Acho que tem duas coisas aí. A primeira é minha memória que é até boa. A segunda é a força das imagens e do som gerados pelo clipe e por M. Jackson. O trabalho dele tinha uma fixação enorme nas mentes (e em muitos corações também). Pensando nessas coisas, é que se entende um pouco mais o motivo de tanta comoção em torno de sua morte. Ele era um artista diferente, como não se tem visto mais.
domingo, 21 de junho de 2009
Diploma em questão

Tanta coisa a se falar e a pensar sobre a decisão do STF de derrubar a exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Eu defendo o diploma, não por corporativismo, que esse é um mal da sociedade, basta ver a defesa que os médicos fazem entre si, mesmo quando há erros grotescos cometidos por profissionais do meio. Ou os policiais, que ficam se protegendo em meio a atitudes incorretas. Ou, para pisar no calo dos que estão menosprezando minha profissão, o corporativismo do Judiciário, a grande caixa-preta do Brasil.
A minha defesa do diploma é, simplesmente, por amar essa profissão que escolhi e por executá-la com seriedade e sensibilidade. É por acreditar que não é qualquer pessoa que gosta de ler e escrever que pode ser jornalista. Precisa mais, precisa muito mais. Agora, vamos ver um monte de gente que se acha bonita querendo ir para a televisão e escritores de "guardanapos de papel" (para citar meu amado Milton Nascimento) querendo mostrar seu talento nas páginas de jornal ou pessoas com belas vozes tentando ir para as rádios porque pensam que radiojornalismo é algo para encantar os ouvintes pela voz.
O que eu quero saber é se essas pessoas que vão tentar se aventurar pelo Jornalismo terão a sensibilidade necessária para o exercício da profissão, se vão ter a paciência de apurar, de checar cada informação que veem na Internet, que escutam no ráido, que assistem pela TV ou que escutam no bar da esquina antes de transformá-las em notícia. Se vão pensar antes se uma matéria que vão publicar vai transformar, da noite para o dia, alguém em herói ou em vilão. Se vão ter discernimento do que é interesse público e, não, particular. Se vão saber se desvincilhar dos afagos e das pressões de empresas e instituições. Se vão aceitar conviver com a pressão diária, os maus-tratos por parte de algumas fontes, os baixos salários, a falta de estrutura e outros problemas que existem no cotidiano jornalistico. Ou se vão procurar o Jornalismo porque acreditam que estarão revestidos de um certo "glamour", que, na verdade, é só uma impressão que quem está fora tem. Não existe. É bem a verdade.
A tristeza em torno disso tudo é ver que os magistrados, que deveriam defender a precisa informação, tomam uma atitude que poderá levar má informação para o público. Qual o zelo que tiveram com a sociedade ao anular um decreto-lei (não importa se foi editado na época da ditadura militar, do Estado Novo ou já nos primeiros anos da redemocratização) que dava um pouco mais de regulamentação à profissão, já tão sucateada. É muito triste ver um segmento profissional opinando e interferindo em outro com tão pouco conhecimento do ofício, do que é necessário para exercê-lo.
Se é possível, um apelo. Para que os que tratam com a informação, sejam patrões ou empregados, continuem tendo cuidado. Pensem no quanto é precioso o bem com que lidam. Apurem, estudem, busquem ser isentos, persigam a verdade, que é algo difícil, mas o jornalista tem que tenta chegar o mais perto possível dela, que não se vendam, não se iludam, desconfiem e não tenham preguiça nem vaidade.
Ainda não dá para saber quem serão as primeiras vítimas dessa desregulamentação. Com certeza, os primeiros a sofrer serão os jornalistas formados, que vão perder espaço no mercado de trabalho. Mas o mais grave pode vir depois, com as informações mal trabalhadas sendo disseminadas publicamente, atingindo em cheio a sociedade.
Como um médico vai escrever sobre uma obra viária que vai interferir na cidade? Como um engenheiro vai fazer matéria sobre uma pesquisa sobre o desempenho escolar no Ensino Médio? Como um advogado vai apurar uma notícia sobre um paciente que precisa de transplante urgentemente? Usando termos jurídicos para defender o direito do cidadão ao órgão? Será que ele vai saber quem são as fontes que deve procurar, que lados deve ouvir? Que abordagem é mais adequada? Ou vai se sensibilizar e tomar partido do paciente sem saber os problemas que atrapalham a cirurgia? Escrever uma matéria não é fazer um artigo opinativo, não é publicar um post em blog.
São muitas as questões que envolvem a produção e publicação de uma matéria. Mas o Judiciário acredita que qualquer pessoa está apta a exercer a profissão. Vamos ver no que vai dar essa decisão e torcer para que os resultados sejam menos desastrosos.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
E viva o dia de ganhar mais um ano!
Enquanto aguardo, com muita paciência (!), que o orkut acabe de adicionar as muitas fotos que estou colocando lá, vou escrever um pouco por aqui. Ia escrever sobre uma coisa, mas pensei bem e decidi escrever outra, que fosse mais fácil, que saísse sem muitos esforços porque já estou cansada. Afinal, são 2h30 da manhã. Tudo bem que estou de folga amanhã, mas, hoje, trabalhei e me levantei às 7h20, infelizmente...
Bom, vou falar do meu aniversário. Fiz aniversário no dia 29 de maio - 29 anos, no dia 29 do ano de 2009. Um conhecido me alertou para a coincidência numérica, que eu nem tinha reparado. Será que tem alguma coisa a ver? Ah, para os numerólogos, aceito palpites e informações sobre as relações dos números com a vida da gente. Mas, atenção, só quero saber se for coisa boa. De coisa ruim, eu fujo!
Na verdade, como em todos os anos, não me preocupei se estava fazendo 19 ou 29 (último ano da casa dos inte!). O que eu queria mesmo era celebrar a data. Pode ser que eu exagere um pouco nas minhas comemorações - este ano, foram quatro dias!!! Mas é porque gosto de verdade de aniversário. Vejo como momento de comemoração, de encontro e reencontro com amigos, colegas, conhecidos e pessoas importantes na minha vida. Fico intrigada quando escuto alguém dizer "odeio aniversário" e não revelar que dia muda de idade. Eu, hein? É para entender isso?
Acho que aniversário é um dia especial. É um dia em que a pessoa recebe boas energias, abraços, beijos, presentes, telefonemas, emails, scraps, cartões, mensagens por celular... Vejo tudo isso como uma comunhão de boas coisas que devem ser aproveitadas (e bem!). Para mim, a melhor forma de aproveitar é ficar perto de quem gosto. Por isso, tantas datas para a celebração. Para dar a oportunidade para os que querem ir e não podem ir em um dia irem em outro e outro e outro ou em todos, se aguentarem!
Esse texto, um pouco atrasado, é para fazer uma reverência às pessoas mais queridas da minha vida, que, de alguma forma (nem sempre presencial), estiveram presentes nesses momentos tão importantes para mim - este ano, entre os dias 28 e 30 de maio. Não importa se é 29, 30 ou 50, se o número é cabalístico, se dá sorte ou se dá azar. Com tanto amor por perto, eu só posso pensar que sou abençoada e protegida! E agradecer!
PS. Acho que fiz a escolha certa! Escrevi em 12 minutos o texto, mais três para adicionar a foto! Bingo!
quarta-feira, 10 de junho de 2009
De sensibilidade e Santos Dumont
Nas horas em que acontecem tragédias como a que ocorreu com o avião da Air France, fico pensando no que sentiria o sensível Santos Dumont. Já havia sofrido com outros acidentes que viu acontecer com aviões originados de sua invenção. Sofreu mais ainda com o uso de outras aeronaves na Primeira Guerra e na Revolução de 30. Imagina se visse, então, o uso da máquina na Segunda Guerra, na Guerra do Vietnã, nos conflitos do Oriente Médio? E as várias tragédias que se seguiram e as muitas guerras? Se o mundo fica triste com isso tudo, imagina o inventor do avião?
Sou radicalmente contra suicídio, mas confesso que, para o pequeno e genial Santos Dumont, viver muito não seria tão bom. Ele veria tantas e tantas coisas tristes acontecerem associadas ao avião. Se Santos Dumont fosse outro tipo de ser humano, se não se importasse com o restante da humanidade, se só pensasse em se enriquecer, seria outra a história.
Mas a vaidade de Santos Dumont era diferente. Era voltada para a inteligência. Ele se envaidecia em ser reconhecido pelo invento genial e por saber que aquela máquina iria revolucionar o mundo. Torrava todo o dinheiro que tinha (de família) e ganhava (com seus muitos prêmios) em cima das invenções, muitas das quais deram errado. Mas era com isso que ele se engrandecia e se satisfazia.
Pena que, em muitas situações, junto com o bom, levamos também o mau. Para consolar (se for possível), a saída é tentar pensar nos muitos benefícios que o avião proporcionou e proporciona. Santos Dumont, no auge de sua sensibilidade, não conseguiu pensar assim. Mas, diante de todas as possibilidades que sabemos vir da existência das aeronaves - viagens, apoio humanitário, transporte de mercadorias, ligação entre os povos, para falar de alguns -, o saldo dos aviões é positivo, apesar das tragédias, das mortes e das guerras em que ele esteve e estará envolvido.
Sou radicalmente contra suicídio, mas confesso que, para o pequeno e genial Santos Dumont, viver muito não seria tão bom. Ele veria tantas e tantas coisas tristes acontecerem associadas ao avião. Se Santos Dumont fosse outro tipo de ser humano, se não se importasse com o restante da humanidade, se só pensasse em se enriquecer, seria outra a história.
Mas a vaidade de Santos Dumont era diferente. Era voltada para a inteligência. Ele se envaidecia em ser reconhecido pelo invento genial e por saber que aquela máquina iria revolucionar o mundo. Torrava todo o dinheiro que tinha (de família) e ganhava (com seus muitos prêmios) em cima das invenções, muitas das quais deram errado. Mas era com isso que ele se engrandecia e se satisfazia.
Pena que, em muitas situações, junto com o bom, levamos também o mau. Para consolar (se for possível), a saída é tentar pensar nos muitos benefícios que o avião proporcionou e proporciona. Santos Dumont, no auge de sua sensibilidade, não conseguiu pensar assim. Mas, diante de todas as possibilidades que sabemos vir da existência das aeronaves - viagens, apoio humanitário, transporte de mercadorias, ligação entre os povos, para falar de alguns -, o saldo dos aviões é positivo, apesar das tragédias, das mortes e das guerras em que ele esteve e estará envolvido.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
A vitória do vírus sobre o homem
Agora, acabo de ler no site G1 que o Brasil vai gastar R$ 141 milhões com a gripe A (antes, gripe suína), apenas na prevenção, já que o país não tem nenhum caso registrado/confirmado. Isso me põe mais ainda a pensar sobre essa gripe e na incapacidade dos humanos em conter um microorganismo, o vírus da gripe. Toda a divulgação que está sendo feita em cima da do problema é boa para sabermos mais. Em alguns lugares, foram feitos históricos de grandes epidemias ou pandemias da doença, ocasiões em que milhares morreram no mundo. Então, vamos a eles:
1918 - Gripe Espanhola
1957 - Gripe Asiática
1968 - Gripe de Hong Kong
2005 - Gripe Aviária
2009 - Gripe A
Cinco. E olha que essas foram as grandes epidemias ou pandemias, como a Espanhola. Se forem falar de outras menores, a lista se amplia. O que me deixa intrigada e, talvez, um pouco indignada, é o fato de os cientistas não terem conseguido ainda achar uma solução para o problema. Tudo bem, eu sei, o vírus da gripe é altamente mutável e, por isso, é difícil de ser combatido. Ok. Mas, com tanta cabeça pensante dentro dos laboratórios e tanto dinheiro investido, será que é mesmo tão impossível controlar um vírus? Existem milhões espalhados no mundo. Aqui, trata-se de apenas um (claro que com suas variações).
O dinheiro que se está gastando com a publicidade em torno da gripe A, as medidas de prevenção e os tratamentos nos locais em que a doença foi confirmada seria poupado se o mundo se antecipasse e criasse algum meio de controlar esse microorganismo. E, se formos falar de outros problemas que a gripe provoca, como a afastamento de trabalhadores do emprego pelo período de manifestação mais forte da doença, os prejuízos aumentam.
Cientistas conseguiram dar jeito em vírus graves, como o sarampo e poliomielite - que não têm mais casos registrados no Brasil, mas ocorrem ainda em países sem programas nacionais de vacinção. Será que não conseguiriam resolver, também, o problema da gripe?
Sempre gostei de uma música do Gilberto Gil, que ficou mais conhecida na voz de Cássia Eller e que se chama "Queremos saber", porque ela expressa um pouco das minhas inquietações em relação ao investimento nas pesquisas. A música fala de tantas e tantas invenções que vemos todos os dias sendo divulgadas, mas que nunca chegam até o cidadão comum. E de tantas e tantas pesquisas que ficam dentro das quatro paredes dos laboratórios. O resto do mundo nem fica sabendo.
Para que tanto dinheiro investido se o retorno não vem para a sociedade? Quem é da área científica poderá até ficar revoltado com as coisas que estou escrevendo aqui, mas, como pessoa comum, que não está nos laboratórios, faço esse questionamento porque penso que muitas das pesquisas não trazem benefícios relevantes e palpáveis para sociedade.
Para fazer um teste, pegue uma das revistas semanais de hoje e olhe na editoria de tecnologia e ciência todas as descobertas e pense qual delas, realmente, seria útil para a sociedade. Ou então, pegue uma revista semanal de cinco anos atrás e veja na parte de tecnologia e ciência que descobertas ou novos equipamentos estavam sendo divulgados. Veja qual deles está entre nós hoje para uso comum. São poucos.
Já parei para observar isso. É cada coisa que a gente vê, do tipo "caneta que fala com você". Ah, por favor, quanto se gasta para se desenvolver coisas assim e qual a aplicação e utilidade disso no mundo? Como diz a música, "Queremos notícia mais séria/sobre a descoberta da antimatéria/e suas implicações/na emancipação do homem/das grandes populações/homens pobres das cidades/das estepes, dos sertões". O que seria mais razoável é que essa fortuna fosse, sim, aplicada na emancipação do homem e na resolução de problemas de abrangência mundial, mesmo que fosse no controle de doenças como a banalizada gripe.
Para vocês, a música:
Queremos saber
Gilberto Gil
queremos saber
o que vão fazer
com as novas invenções
queremos notícia mais séria
sobre a descoberta da antimatéria
e suas implicações
na emancipação do homem
das grandes populações
homens pobres das cidades
das estepes, dos sertões
queremos saber
quando vamos ter
raio laser mais barato
queremos de fato um relato
retrato mais sério
do mistério da luz
luz do disco-voador
pra iluminação do homem
tão carente e sofredor
tão perdido na distância
da morada do Senhor
queremos saber
queremos viver
confiantes no futuro
por isso de faz necessário
prever qual o itinerário da ilusão
a ilusão do poder
pois se foi permitido ao homem
tantas coisas conhecer
é melhor que todos saibam
o que pode acontecer
queremos saber
queremos saber
todos queremos saber
1918 - Gripe Espanhola
1957 - Gripe Asiática
1968 - Gripe de Hong Kong
2005 - Gripe Aviária
2009 - Gripe A
Cinco. E olha que essas foram as grandes epidemias ou pandemias, como a Espanhola. Se forem falar de outras menores, a lista se amplia. O que me deixa intrigada e, talvez, um pouco indignada, é o fato de os cientistas não terem conseguido ainda achar uma solução para o problema. Tudo bem, eu sei, o vírus da gripe é altamente mutável e, por isso, é difícil de ser combatido. Ok. Mas, com tanta cabeça pensante dentro dos laboratórios e tanto dinheiro investido, será que é mesmo tão impossível controlar um vírus? Existem milhões espalhados no mundo. Aqui, trata-se de apenas um (claro que com suas variações).
O dinheiro que se está gastando com a publicidade em torno da gripe A, as medidas de prevenção e os tratamentos nos locais em que a doença foi confirmada seria poupado se o mundo se antecipasse e criasse algum meio de controlar esse microorganismo. E, se formos falar de outros problemas que a gripe provoca, como a afastamento de trabalhadores do emprego pelo período de manifestação mais forte da doença, os prejuízos aumentam.
Cientistas conseguiram dar jeito em vírus graves, como o sarampo e poliomielite - que não têm mais casos registrados no Brasil, mas ocorrem ainda em países sem programas nacionais de vacinção. Será que não conseguiriam resolver, também, o problema da gripe?
Sempre gostei de uma música do Gilberto Gil, que ficou mais conhecida na voz de Cássia Eller e que se chama "Queremos saber", porque ela expressa um pouco das minhas inquietações em relação ao investimento nas pesquisas. A música fala de tantas e tantas invenções que vemos todos os dias sendo divulgadas, mas que nunca chegam até o cidadão comum. E de tantas e tantas pesquisas que ficam dentro das quatro paredes dos laboratórios. O resto do mundo nem fica sabendo.
Para que tanto dinheiro investido se o retorno não vem para a sociedade? Quem é da área científica poderá até ficar revoltado com as coisas que estou escrevendo aqui, mas, como pessoa comum, que não está nos laboratórios, faço esse questionamento porque penso que muitas das pesquisas não trazem benefícios relevantes e palpáveis para sociedade.
Para fazer um teste, pegue uma das revistas semanais de hoje e olhe na editoria de tecnologia e ciência todas as descobertas e pense qual delas, realmente, seria útil para a sociedade. Ou então, pegue uma revista semanal de cinco anos atrás e veja na parte de tecnologia e ciência que descobertas ou novos equipamentos estavam sendo divulgados. Veja qual deles está entre nós hoje para uso comum. São poucos.
Já parei para observar isso. É cada coisa que a gente vê, do tipo "caneta que fala com você". Ah, por favor, quanto se gasta para se desenvolver coisas assim e qual a aplicação e utilidade disso no mundo? Como diz a música, "Queremos notícia mais séria/sobre a descoberta da antimatéria/e suas implicações/na emancipação do homem/das grandes populações/homens pobres das cidades/das estepes, dos sertões". O que seria mais razoável é que essa fortuna fosse, sim, aplicada na emancipação do homem e na resolução de problemas de abrangência mundial, mesmo que fosse no controle de doenças como a banalizada gripe.
Para vocês, a música:
Queremos saber
Gilberto Gil
queremos saber
o que vão fazer
com as novas invenções
queremos notícia mais séria
sobre a descoberta da antimatéria
e suas implicações
na emancipação do homem
das grandes populações
homens pobres das cidades
das estepes, dos sertões
queremos saber
quando vamos ter
raio laser mais barato
queremos de fato um relato
retrato mais sério
do mistério da luz
luz do disco-voador
pra iluminação do homem
tão carente e sofredor
tão perdido na distância
da morada do Senhor
queremos saber
queremos viver
confiantes no futuro
por isso de faz necessário
prever qual o itinerário da ilusão
a ilusão do poder
pois se foi permitido ao homem
tantas coisas conhecer
é melhor que todos saibam
o que pode acontecer
queremos saber
queremos saber
todos queremos saber
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Brilho para além de Che

Quando soube que estava para estrear um novo filme sobre Che Guevara, fiquei eufórica. Sempre falo abertamente que sou fã dele. Não é febre adolescente. Quando passei a ser fã mesmo de Che, a adolescência já havia passado há tempos. Primeiro, comecei a gostar porque acho ele bonito. Ok, não me olhem torto... É verdade. Acho ele bonito e ponto. Depois, porque, como amo história, estudei a Revolução Cubana e a participação de Che nela. Em seguida, comecei a correr atrás de informações sobre Che e, assim, foi. Fui gostando daquele sujeito, que pode até ter sido frio e violento em muitas situações, mas correu atrás do que acreditava.
Já tinha ficado feliz com o filme "Diários de motocicleta", de 2004, dirigido por Walter Salles e que tem Gael García Bernal no papel de Che. Achei muito bom, mas coloca o argentino revolucionário como quase um santo. Não gosto dessas coisas, nem quando se trata de Che Guevara. Acho que, por isso, gostei mais de "Che - O argentino", que acaba de estrear em BH. Dirigido por Steven Sorderbergh e que tem Benicio Del Toro encenando Che, Démian Bichir, como Fidel Castro, e Rodrigo Santoro, como Raul Castro.
Sei que todo mundo tem falado de Benício Del Toro no filme. Também adorei. Achei que ele ficou muito parecido com Che. Tem gente que fala que é igual, mas, como já pesquisei muito sobre Che, vejo muitas, muitas diferenças. Só para ser detalhista, vou falar da protuberância na região frontal, acima da sobrancelha, que Che tinha e Benício não tem. Rs. Brincadeiras à parte, reconheço que a figuração feita no Benício ficou muito boa e que ele representa bem o líder guerrilheiro.
Mas, engraçado como são as coisas, não foi o Benício que me chamou mais atenção no filme. Muito menos o Rodrigo Santoro. Foi Demián Bichir, que fez o papel de Fidel Castro. Ele não aparece muito no filme, mas, quando aparece... destrói (na minha opinião). Nossa, achei excelente, excelente, excelente. Não conhecia esse ator, mas, agora, estou fã dele. Ele fez um Fidel Castro seco, de palavras firmes, voz baixa, que não se exalta e não espera a resposta do ouvinte. Simplesmente fala e, nisso, é obedecido em tudo.
Pela primeira vez, tive noção da importância de Fidel Castro na estratégia dos guerrilheiros para tomar Havana e fazer a revolução. Como muitas pessoas, eu também aumentava a importância de Che Guevara no processo. Quando se vê o filme, o que fica claro é que Fidel era quem ditava as regras, sem quê nem por quê. Che obedecia, como um bom soldado. Impressionante. Até a primeira parte do filme, Che não era o cabeça da estratégia, era submisso às ordens de Fidel, assim como seu irmão Raul também era.
Confio um tanto bom nessa versão porque a supervisão histórica do filme foi feita por um dos maiores biógrafos de Che Guevara, o jornalista norte-americano John Lee Anderson, que pesquisou demais para escrever os livros que escreveu sobre Che e foi um dos responsáveis pela descoberta do local onde estavam enterrados os ossos do guerrilheiro. Ou seja, ele sabe muito mais que eu e 99% dos espectadores de Che Guevara!
Agora, aguardo para ver a continuação. É. O filme, na verdade, tem quatro horas. O que estreou foi só a primeira parte. A segunda, "Che - A guerrilha", ainda não tem data para estrear. Um pouco de paciência, já que, em BH, a primeira parte só estreou um mês depois de RJ e SP.
Como falei pouco de Benício/Che, vou dar um espacinho aqui para ele. Achei interessante a forma como o diretor traz o guerrilheiro. Primeiro, como médico interessado em mudar uma situação que não estava boa para ninguém (a ditadura de Fulgêncio Batista, em Cuba, e o mandonismo e exploração dos EUA em cima da ilha). Depois, como alguém que se envolve na causa e se preocupa em organizar, em mostrar que as coisas têm que ser feitas de forma pensada para dar certo. É o homem que pensa na formação social, organizacional e intelectual das pessoas que estão envolvidas no processo da revolução. Depois, como guerrilheiro que não quer sair do front de batalhas por nada.
Tem passagens engraçadas e outras muito interessantes. Chamou a minha atenção a importância que Che dava para a alfabetização. Em um momento em que está recrutando camponeses para a luta, pergunta quem sabe ler e escrever. A minoria sabia. Então, ele fala que um povo precisa saber ler e escrever porque, quando não sabe, é facilmente enganado. Convite para se pensar.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Diário de dores
Já tem um tempo que estou querendo compartilhar aqui com vocês comentários sobre um livro que li recentemente, que se chama “Uma mulher em Berlim: diário dos últimos dias de guerra (20/04/1945 a 22/06/1945)”, da Editora Record. A primeira coisa que chama a atenção no livro é o autor: não tem autor, ou melhor, o autor é anônimo. Aparece assim mesmo na capa. No lugar do nome do autor, está escrito “Anônimo”. Tem explicação.
A história do livro é a seguinte. Uma mulher, que morava em Berlim na reta final da Segunda Guerra Mundial, relata em seu diário o cotidiano na cidade logo depois da chegada dos russos, que trazem destruição e massacram tudo o que encontram pela frente, seja vivo ou não. A mulher teria pedido para que seu nome fosse preservado para evitar constrangimentos diante da sociedade devido às coisas que ela conta no texto.
Na verdade, acho que a autora poderia ficar constrangida, sim, quando saísse de casa e desse bom dia ao vizinho e pensasse que ele poderia ter lido o livro. Então, possivelmente, esse vizinho saberia que ela foi estuprada dezenas de vezes e em sequência, que tinha que barganhar favores em muitas situações para conseguir se alimentar ou tinha que “furtar” para não passar mais fome ainda. Que foi uma quase escrava dos soldados russos, mas que nem se importava com isso quando eles levavam um pouco de comida para a casa em que morava.
O furtar acima veio entre aspas porque, na situação relatada pela autora, é difícil dizer se o que as pessoas que estavam lá faziam era furto mesmo, na concepção condenável que tem a palavra. Estavam no extremo do desespero, da miséria, da dor, da violência e da falta de esperança, no mínimo. O relato da autora dá bem a impressão de “não há mais nada a se fazer”. Não há mais nada a se fazer, a não ser ser estuprada (consentidamente?), furtar, mentir, ignorar a dor do outro, comer coisas que, em outros momentos, jamais se pensaria, como urtiga e carne de cavalo.
É um livro pesado, denso, doloroso. Os homens eram mortos, as mulheres, humilhadas. Como sempre, nas brigas idiotas que os governantes arrumam, quem padece é a população civil. A história dessa mulher alemã mostra isso. Não interessa se ela era nazista, se não era, se era comunista... Isso não é o problema.
Ela era a funcionária de uma editora de livros, que, de repente, teve a vida destruída, passou a viver comunitariamente na ruína de uma das poucas casas que restaram, tinha que pegar rações diárias de comida para sobreviver, perdeu a saúde, a alegria. Vivia para não morrer, não para viver. Da vida que tinha antes, mal, mal, tinha lembranças. A dor, a mágoa, a frieza que ela expressa na reta final do livro, as últimas páginas escritas do diário, mostram que os valores se dissolveram, que nada tinha mais importância.
Assusta? Sim, mas não tem jeito de ser diferente. Tem como se esperar sentimentos de bondade, alegria, perdão etc. de pessoas que passaram por todas as crueldades de uma guerra, principalmente de quem estava no país dos perdedores quando os vencedores chegaram destruindo tudo? O livro provoca reflexões. Ainda mais para se repensar a situação dos alemães naquele momento. Não eram todos uns filhos da mãe que odiavam judeus. Havia pessoas normais, que trabalhavam, namoravam, estudavam e passeavam, assim como eu e você.
A história do livro é a seguinte. Uma mulher, que morava em Berlim na reta final da Segunda Guerra Mundial, relata em seu diário o cotidiano na cidade logo depois da chegada dos russos, que trazem destruição e massacram tudo o que encontram pela frente, seja vivo ou não. A mulher teria pedido para que seu nome fosse preservado para evitar constrangimentos diante da sociedade devido às coisas que ela conta no texto.
Na verdade, acho que a autora poderia ficar constrangida, sim, quando saísse de casa e desse bom dia ao vizinho e pensasse que ele poderia ter lido o livro. Então, possivelmente, esse vizinho saberia que ela foi estuprada dezenas de vezes e em sequência, que tinha que barganhar favores em muitas situações para conseguir se alimentar ou tinha que “furtar” para não passar mais fome ainda. Que foi uma quase escrava dos soldados russos, mas que nem se importava com isso quando eles levavam um pouco de comida para a casa em que morava.
O furtar acima veio entre aspas porque, na situação relatada pela autora, é difícil dizer se o que as pessoas que estavam lá faziam era furto mesmo, na concepção condenável que tem a palavra. Estavam no extremo do desespero, da miséria, da dor, da violência e da falta de esperança, no mínimo. O relato da autora dá bem a impressão de “não há mais nada a se fazer”. Não há mais nada a se fazer, a não ser ser estuprada (consentidamente?), furtar, mentir, ignorar a dor do outro, comer coisas que, em outros momentos, jamais se pensaria, como urtiga e carne de cavalo.
É um livro pesado, denso, doloroso. Os homens eram mortos, as mulheres, humilhadas. Como sempre, nas brigas idiotas que os governantes arrumam, quem padece é a população civil. A história dessa mulher alemã mostra isso. Não interessa se ela era nazista, se não era, se era comunista... Isso não é o problema.
Ela era a funcionária de uma editora de livros, que, de repente, teve a vida destruída, passou a viver comunitariamente na ruína de uma das poucas casas que restaram, tinha que pegar rações diárias de comida para sobreviver, perdeu a saúde, a alegria. Vivia para não morrer, não para viver. Da vida que tinha antes, mal, mal, tinha lembranças. A dor, a mágoa, a frieza que ela expressa na reta final do livro, as últimas páginas escritas do diário, mostram que os valores se dissolveram, que nada tinha mais importância.
Assusta? Sim, mas não tem jeito de ser diferente. Tem como se esperar sentimentos de bondade, alegria, perdão etc. de pessoas que passaram por todas as crueldades de uma guerra, principalmente de quem estava no país dos perdedores quando os vencedores chegaram destruindo tudo? O livro provoca reflexões. Ainda mais para se repensar a situação dos alemães naquele momento. Não eram todos uns filhos da mãe que odiavam judeus. Havia pessoas normais, que trabalhavam, namoravam, estudavam e passeavam, assim como eu e você.
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