Quando você vier de novo, a gente vai para o parque Vale Verde.
Vou te apresentar as meninas que fazem o projeto Chão que eu Piso, pelo qual você se apaixonou.
Você vai ficar lá em casa, como foi das vezes anteriores. Vai ver Amor, Arroz e Paz.
Quando você vier de novo, vamos ficar mais tempo juntas. Foi uma correria da última vez.
Vamos tomar café com pão de queijo na praça da Liberdade, comer comida mineira, doce de leite e goiabada, como foi na primeira vez que você veio e nos esbaldamos no Xapuri, com frango com quiabo, couve e feijão, antes de nos perdermos na mesa de doces e compotas. Pra finalizar, o cafezinho, que, se faltar, não deixa nem o melhor banquete ficar completo.
Quando você vier de novo, podemos fazer outros ensaios fotográficos, como aqueles na orla da Pampulha ou no Museu Abílio Barreto. Fazer outra namoradeira. Quer outra janela para posar como namoradeira? Você ficou um encanto lá no casarão.
Quando você vier de novo, vamos sair pra dançar. Ah, acho que a gente tem de fazer uma lista dos lugares que você ainda não conhece em BH, né? Agora são poucos.
Vamos tentar encontrar todo mundo junto, pra conversar e rir junto, tomar o vinho de que você gosta, ou até uma cervejinha.
Vamos passear no Mercado Central e comprar queijo, comer abacaxi em pé e tirar fotos para postar no Instagram.
Vamos ouvir muita música, quem sabe ouvir Gal Costa, uma musa sua, coisa que ainda não fizemos.
Vou procurar outro artista mineiro para te apresentar e te dar de presente uma descoberta pra levar para SP, como foi quando você conheceu o Inimá de Paula.
Vamos andar pela cidade, subir esses morros e, à noite, dançar forró, para acordar no dia seguinte com as pernas doendo.
Vai ter Carnaval. Você vem para o Carnaval? Lembra da ideia de fazermos um bloquinho? Na verdade, dois bloquinhos. Quem sabe não colocamos, enfim, em prática?
Quando você vier de novo, quero dar um jeito de te levar para conhecer o Mineirão. Das últimas vezes, não deu para a gente fazer isso. Queria tanto que você visse o maior de Minas em campo – tomara que não seja contra o seu Timão.
Quando você vier de novo, vou preparar o seu quarto, deixar chocolates, músicas para você ouvir e pedir para os gatinhos serem muito carinhosos com você. Principalmente nas horas em que eu não estiver em casa.
Quando você vier de novo, ainda vamos ter muito o que fazer e, como sempre, sua agenda vai ficar lotada.
Eu sei que você não vem de novo, mas neste momento queria pensar que, em breve, você volta a BH, como sempre planejava, porque você sempre estava voltando. Numa das nossas últimas conversas, você disse: “amo vir pra cá, sou sempre tão bem tratada!”. Você estava aqui, e nós, eu e meus amigos que você lindamente conquistou, é que estávamos felizes com a sua presença, na despedida, já esperando a sua volta. Você trazia carinho e doçura para nós.
Eu sei que você não vem de novo, mas queria te dizer que você deixou aqui um lugar que é seu. E vai ser pra sempre, com todo o nosso amor.
Muita saudade, flor.
À minha amiga amada Priscila Tieppo, que não vai vir de novo. Amiga, é difícil enfrentar essa ausência sua.
Pensar junto, às vezes, é melhor que pensar sozinho. Há ocasiões em que a gente pensa e sente vontade de compartilhar o pensamento com alguém. Por isso, então, pensaremos juntos! Para dividir ideias, emoções e pensamentos.
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domingo, 23 de novembro de 2014
Quando você vier de novo
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segunda-feira, 7 de abril de 2014
Hoje eu te homenageio
Para cada pessoa que você perguntar, haverá uma resposta a respeito do motivo que a levou a ser jornalista. Uns não vão nem saber qual. Esse talvez seja meu caso. Por algum motivo, o jornalismo foi nascendo em mim até se transformar em uma das minhas grandes razões de viver. Muito por causa do meu pai, que não é jornalista nem sequer atua na área das ciências sociais ou humanas, mas tem paixão por ler. E não só. Por investigar histórias, por conhecer mais e por repassar informações. Foi por causa dessa paixão dele que eu descobri os livros bem cedo e de uma forma muito intensa.
Li livros, quadrinhos, revistas, outdoor, adesivos, placas de lojas, placas de carro. Tudo o que aparecia à frente. E jornal. Impresso, com tinta nos dedos. A família assinava o jornal Hoje em Dia – isso daí já foi iniciativa da minha mãe. Foi o que me fez conhecer o meu inspirador na carreira jornalística. É estranho, mas foi Roberto Drummond quem deu aquele “start” em mim: “opa, acho que quero ser jornalista”. Ele nem era mais, mas escrevia crônica em jornal diário e tinha um passado de certa expressão no jornalismo – chegou a ganhar o prêmio Esso duas vezes.
Suas crônicas expressavam coisas cotidianas, tão simples. Me dava uma curiosidade, todo o dia pela manhã, enquanto tomava café para ir à aula, ver sobre o que ele estava falando. Que passarinho ele tinha visto, que moça na rua, que olhos perdidos, que filme, que livro, que, que, que... Comecei a achar incrível, lindo, isso de ver as coisas e escrever sobre elas. Vai que alguém gosta? E se alguém gostar? Eu via que Roberto Drummond não era unanimidade, muita gente criticava seus textos, especialmente seus livros. Fui ler. Li uns quatro, cinco. Gostei de todos, mesmo os mais “bobinhos”. Conclusão: eu gostava dele. Apesar de detestar todas as vezes em que ele escrevia sobre o Atlético-MG.
A vida, irônica que é, iria me dar presentes num futuro muito próximo. Minha irmã entrou para a faculdade em 1997 e teve como colega de turma a filha de Roberto Drummond. Acabamos fazendo uma amizade passageira, conversávamos um pouco por telefone. No primeiro semestre de 1999, eu entrei para o curso de Jornalismo, na PUC Minas. Tinha um trabalho a fazer, uma entrevista com uma personalidade. Claro que escolhi Roberto Drummond, que havia ficado mais famoso nacionalmente por causa do sucesso estrondoso da minissérie “Hilda Furacão” (1998), na TV Globo, baseada em sua obra homônima.
A filha dele e a minha irmã foram a ponte para o encontro. Era a primeira entrevista da minha vida, com meu inspirador no Jornalismo. Levei gravador e um roteiro de perguntas. Ele me recebeu na área de lazer do prédio em que morava, na Savassi – claro, a região era sua paixão, uma das. Ele me recebeu tão bem e tão à vontade que acabei me desprendendo do roteiro de perguntas e aprendendo que a entrevista pode ser uma conversa, e é até bom que seja. Foi minha primeira lição prática.
Ao final, Roberto Drummond me deu um livro com bastidores e fotos da minissérie “Hilda Furacão”. Lindo, bem lindo. Eu, tímida ainda, não pedi para que o autografasse para mim. Três anos depois, meu inspirador morreu; seis anos depois, comecei a trabalhar no Hoje em Dia. Fiquei sem a assinatura no livro. Ficou a assinatura na vida.
Li livros, quadrinhos, revistas, outdoor, adesivos, placas de lojas, placas de carro. Tudo o que aparecia à frente. E jornal. Impresso, com tinta nos dedos. A família assinava o jornal Hoje em Dia – isso daí já foi iniciativa da minha mãe. Foi o que me fez conhecer o meu inspirador na carreira jornalística. É estranho, mas foi Roberto Drummond quem deu aquele “start” em mim: “opa, acho que quero ser jornalista”. Ele nem era mais, mas escrevia crônica em jornal diário e tinha um passado de certa expressão no jornalismo – chegou a ganhar o prêmio Esso duas vezes.
Suas crônicas expressavam coisas cotidianas, tão simples. Me dava uma curiosidade, todo o dia pela manhã, enquanto tomava café para ir à aula, ver sobre o que ele estava falando. Que passarinho ele tinha visto, que moça na rua, que olhos perdidos, que filme, que livro, que, que, que... Comecei a achar incrível, lindo, isso de ver as coisas e escrever sobre elas. Vai que alguém gosta? E se alguém gostar? Eu via que Roberto Drummond não era unanimidade, muita gente criticava seus textos, especialmente seus livros. Fui ler. Li uns quatro, cinco. Gostei de todos, mesmo os mais “bobinhos”. Conclusão: eu gostava dele. Apesar de detestar todas as vezes em que ele escrevia sobre o Atlético-MG.
A vida, irônica que é, iria me dar presentes num futuro muito próximo. Minha irmã entrou para a faculdade em 1997 e teve como colega de turma a filha de Roberto Drummond. Acabamos fazendo uma amizade passageira, conversávamos um pouco por telefone. No primeiro semestre de 1999, eu entrei para o curso de Jornalismo, na PUC Minas. Tinha um trabalho a fazer, uma entrevista com uma personalidade. Claro que escolhi Roberto Drummond, que havia ficado mais famoso nacionalmente por causa do sucesso estrondoso da minissérie “Hilda Furacão” (1998), na TV Globo, baseada em sua obra homônima.
A filha dele e a minha irmã foram a ponte para o encontro. Era a primeira entrevista da minha vida, com meu inspirador no Jornalismo. Levei gravador e um roteiro de perguntas. Ele me recebeu na área de lazer do prédio em que morava, na Savassi – claro, a região era sua paixão, uma das. Ele me recebeu tão bem e tão à vontade que acabei me desprendendo do roteiro de perguntas e aprendendo que a entrevista pode ser uma conversa, e é até bom que seja. Foi minha primeira lição prática.
Ao final, Roberto Drummond me deu um livro com bastidores e fotos da minissérie “Hilda Furacão”. Lindo, bem lindo. Eu, tímida ainda, não pedi para que o autografasse para mim. Três anos depois, meu inspirador morreu; seis anos depois, comecei a trabalhar no Hoje em Dia. Fiquei sem a assinatura no livro. Ficou a assinatura na vida.
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